Burlas por SMS: o que o Android vai passar a travar e o que a sua PME deve fazer já

As burlas por SMS vão passar a ter novos travões no Android: a Google anunciou a análise de conversas com números desconhecidos, verificação de ligações suspeitas, proteção na partilha de ecrã e bloqueio do desvio de chamadas escondido. Ainda não há datas para Portugal, por isso a PME deve começar por rever os telemóveis da equipa.

O que a Google anunciou contra as burlas por SMS

São quatro novidades, com calendários diferentes.

A primeira é a análise da conversa inteira nas mensagens. Em vez de olhar para cada SMS isolado, o sistema avalia o contexto de uma troca com um número desconhecido, o que ajuda a apanhar burlas que começam por uma conversa simpática. A função usa a inteligência artificial da Google num serviço na nuvem, é opcional e vem desligada. Chega “nas próximas semanas”, mas sem data para Portugal.

A segunda é a verificação de ligações no próprio telemóvel, antes de se tocar nelas. Funciona em modelos recentes, como o Pixel 10 e o Galaxy S26. Os avisos passam também a dar mais tempo e mais contexto antes de a pessoa avançar, uma pausa pensada para quebrar a pressa que os burlões tentam criar.

A terceira mexe na partilha de ecrã. A partir do fim de outubro, no Android 15 e superiores, os campos de palavra-passe, cartão e acesso à banca ficam escondidos quando o ecrã é partilhado através do Chrome ou de páginas dentro de aplicações. A quarta chega em dezembro: as aplicações deixam de poder ativar em segundo plano o desvio de chamadas sem a pessoa saber, e o telemóvel avisa antes de aplicar códigos digitados à mão.

Porque é que isto interessa a uma empresa

Muitas burlas por SMS chegam ao telemóvel de um funcionário, não ao computador. Uma mensagem a dizer que há uma portagem por pagar, uma encomenda retida ou uma conta a verificar basta para alguém clicar com pressa e escrever dados no sítio errado.

O desvio de chamadas é o caso mais traiçoeiro. Quem o consegue ativar passa a receber as chamadas e os códigos de confirmação que chegam por voz, e a empresa só descobre quando algo já correu mal. Por isso o bloqueio anunciado para dezembro é a novidade que mais nos interessa.

Já falámos de um exemplo concreto no artigo sobre o falso inspetor ao telefone. O padrão repete-se: urgência, uma autoridade e um pedido de dados.

4 ajustes que a PME pode fazer já

Para travar as burlas por SMS não precisa de esperar pelas funções novas.

  1. Perguntar quem tem os telemóveis atualizados. O Android 15 ou superior é a base para a proteção na partilha de ecrã. Veja quais aparelhos da empresa ainda não chegam lá.
  2. Combinar uma regra para ligações recebidas por SMS. Nenhum pagamento nem login se faz a partir de uma ligação numa mensagem. Abre-se a aplicação do banco ou escreve-se o endereço à mão.
  3. Decidir quem pode ativar a análise na nuvem. Em telemóveis com conversas de clientes, convém que seja uma escolha da empresa e não de cada pessoa.
  4. Confirmar o desvio de chamadas. Peça a um colega que verifique, nas definições do telefone, se há algum desvio que ninguém reconhece.

Se os telemóveis tiverem contas de email da empresa, ligue também a autenticação multifator. Mesmo que alguém caia numa mensagem falsa, o acesso fica mais difícil. Pode ver mais medidas no nosso texto sobre os ataques informáticos em Portugal.

Burlas por SMS: o que testar quando as funções chegarem a Portugal

Quando as atualizações aparecerem, vale a pena testar num telemóvel de cada vez. Veja se a análise de conversas está desligada, se os avisos de ligação não escondem mensagens legítimas de clientes e se a equipa percebe o que cada aviso quer dizer.

Nenhuma destas funções substitui o cuidado de quem lê a mensagem, e as burlas por SMS mudam de aspeto com frequência. Ajudam a travar os casos mais óbvios, mas os burlões mudam de truque com rapidez. Quem junta ligação à Internet e proteção num só serviço pode olhar para a Oferta SAFE da MEO Empresas e para os nossos serviços para empresas.

Perguntas frequentes

Estas proteções já estão disponíveis em Portugal?

Ainda não há confirmação para Portugal. A Google fala em semanas para a análise das mensagens e em datas diferentes para as outras funções, mas não indicou o calendário por país. Convém verificar nas definições do telemóvel quando as atualizações chegarem.

O Android passa a ler as mensagens privadas da equipa?

A análise da conversa é opcional e vem desligada. Quem a ativar envia o conteúdo das conversas com números desconhecidos para um serviço na nuvem da Google. Numa empresa, vale a pena decidir quem a pode ligar e em que telemóveis.

Os telemóveis mais antigos ficam sem proteção?

Alguns sim. A verificação das ligações no próprio telemóvel exige modelos recentes, como o Pixel 10 ou o Galaxy S26. Os modelos mais antigos ficam com as funções que dependem da nuvem, quando estas chegarem.

O que fazer se alguém da equipa clicar numa ligação suspeita?

Mudar já a palavra-passe da conta em causa, avisar quem trata do apoio informático e guardar a mensagem sem a apagar. Se a ligação pedia dados de pagamento, contactar também o banco.

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