Falha informática no SNS: 5 perguntas para saber se a sua empresa tem plano B

Falha informática no SNS: monitor com aviso de serviço indisponível num corredor de hospital

A falha informática que atingiu o SNS na segunda-feira, 19 de outubro, deixou médicos sem receita eletrónica e sem acesso ao registo de saúde durante horas. Para uma PME, a lição é prática: saber de que sistema depende todos os dias e o que faz quando ele pára. Estas são as cinco perguntas a fazer já.

O que se sabe sobre a falha informática no SNS

Desde as 10:00 de segunda-feira, a prescrição eletrónica e o registo de saúde eletrónico ficaram indisponíveis em várias unidades do país. Em alguns locais houve consultas, exames e tratamentos suspensos, e doentes que se deslocaram foram mandados para casa.

Portátil com aviso de ligação indisponível durante uma falha informática numa empresa
Quando o sistema pára, a empresa só continua a trabalhar se já tiver um plano B.

Por volta das 12:00, a entidade que gere os sistemas informáticos da saúde indicou que alguns sistemas de apoio a hospitais e centros de saúde já tinham sido repostos e apontou problemas no centro de dados. Não há indicação oficial de ciberataque. A causa exata ainda não foi explicada e não foi divulgado um prazo para a normalidade total.

Também foi referido que, em junho, um corte de energia no mesmo centro de dados já tinha deixado médicos sem acesso aos registos.

Porque interessa a uma PME

Uma empresa não é o SNS, mas muitos negócios têm o mesmo ponto fraco: tudo passa por um único sítio. O programa de faturação, a agenda de marcações, o servidor de ficheiros, a central telefónica, a ligação à Internet. Quando esse ponto pára, pára tudo.

Imagine uma clínica com oito pessoas que marca consultas e emite recibos num único programa online. Se o programa ficar indisponível numa manhã de segunda-feira, a receção não sabe quem tem consulta, ninguém consegue faturar e os clientes ficam à espera. O problema raramente é a falha em si. É não haver nada preparado para o momento em que ela acontece.

5 perguntas para saber se tem plano B

  1. De que sistemas depende para atender e faturar? Faça uma lista curta, mesmo que seja numa folha. Programa de faturação, email, telefone, agenda, ligação à Internet.
  2. Onde estão esses sistemas e quem os gere? Num servidor da empresa, num fornecedor ou na cloud? Pergunte ao fornecedor o que acontece se o centro de dados dele falhar e se existe um segundo local de reserva.
  3. Quanto tempo aguenta sem eles? Uma hora é diferente de um dia. Defina o seu limite e peça ao fornecedor, por escrito, o tempo de recuperação que ele assume.
  4. Existe uma alternativa fora do sistema? Uma agenda impressa todas as semanas, uma lista de clientes importantes no telemóvel, um bloco de encomendas. Não é elegante, mas funciona.
  5. A equipa sabe o que fazer? Uma folha com o contacto do fornecedor, quem decide e como se avisam os clientes. Teste-a uma vez por ano.
Caderno com a lista de 5 perguntas para o plano B da empresa em caso de falha informática
As cinco perguntas numa folha: sistemas críticos, onde estão, tempo de recuperação, alternativa e equipa.

Se a pergunta 2 não tiver resposta, comece por aí. Uma ligação de reserva por rede móvel costuma ser a forma mais barata de manter a loja a funcionar quando a fibra falha. Veja como se ligam os custos de telecomunicações ao risco de ficar sem serviço.

O que fazer quando a falha informática acontece

Uma falha técnica e um ciberataque parecem iguais nos primeiros minutos. Por isso, vale a pena seguir sempre a mesma ordem.

Confirme se o problema é só seu: teste outro equipamento e outra ligação. Contacte o fornecedor com a hora e a mensagem de erro que aparece. Avise os clientes com uma frase curta e verdadeira, sem prometer prazos que não controla. Registe o que ficou por fazer, para recuperar depois. E peça ao informático que confirme a causa antes de ligar tudo outra vez.

Evite soluções de recurso que criam outro problema, como passar dados da empresa para contas pessoais. As cópias de segurança também contam aqui, e explicamos como as testar no artigo sobre ataques informáticos em Portugal e medidas para a PME. Para rever a sua situação, veja os nossos serviços para empresas.

Perguntas frequentes

A falha informática no SNS foi um ciberataque?

Até ao momento não há indicação oficial de ciberataque. A entidade que gere os sistemas informáticos da saúde apontou problemas no centro de dados. A causa exata ainda não foi explicada.

Uma PME pequena precisa mesmo de um plano B?

Precisa, e pode ser muito simples: uma lista de contactos em papel, uma ligação de reserva e um número do fornecedor à mão. O plano B não tem de ser caro, tem de existir antes do problema.

Ter as aplicações na cloud protege de uma falha informática?

Protege de algumas, mas não de todas. A cloud também depende de centros de dados e de ligação à Internet. Pergunte ao fornecedor o que acontece se o centro de dados dele falhar e em quanto tempo o serviço volta.

De quanto em quanto tempo se deve testar o plano B?

Pelo menos uma vez por ano, e sempre que mudar de fornecedor ou de sistema. Basta um teste curto: simular uma hora sem o programa principal e ver o que a equipa consegue fazer.

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